Primavera(s) de Deus

  • Explicação

    Maria, figura central da próxima Jornada Mundial da Juventude, é o primeiro sinal da Primavera de Deus, no inverno da humanidade. Como no-lo recorda o lema da JMJ, partiu “apressadamente”, porque essa Primavera, anunciada pelos profetas e ansiada pelo “povo que habitava nas trevas” (Mt 4, 16; Is 9,1) não podia mais ser adiada: tinha de contagiar outros, como mais tarde fará seu Filho Jesus, pelos caminhos da Palestina.

    Passados dois milénios, o inverno persiste (conflitos, desigualdades e injustiças). Porém, tampouco essa Primavera deixou de dar sinal de si, da sua presença atuante.

    Propomo-nos descobrir e conhecer “rostos jovens” de Deus. Jovens que foram Flores e frutos de fé, testemunhando a alegria e a paz dos filhos de Deus, em situações extremas de sofrimento ou na defesa da pureza; flores e frutos de esperança perseverante no longo inverno persecutório da fé, em tantos lugares do planeta e ao longo da história; flores e frutos de caridade que perfumaram a humanidade, na entrega das suas vidas pela dos outros, mais pobres ou vulneráveis da sociedade, em defesa da verdade e da justiça.

    São raparigas e rapazes de 4 continentes, dos séculos XX e XXI. Uns, cristãos desde o berço, outros, conversões extraordinárias, onde e quando menos era espectável. Todos morreram cedo, mas marcaram o seu tempo e seus conterrâneos, porque todos frutos maduros. Assim são as Primaveras de Deus.

    Desafiamos-vos, ao longo deste ano, a conviverem com eles: tomai-os como companheiros de vida cristã, mestres com quem aprender, amigos espirituais em quem colher inspiração e a quem orar, pois a maioria é venerável ou beatificada.

PRIMAVERA(s) de DEUS – 23

ANDREA MANDELLI, a 29 de novembro de 1990, morria vítima de um cancro ósseo.ANDREA MANDELLI Cópia
Diagnosticado dois anos antes, viveu todo o processo doloroso da doença com serenidade.
Nascido em 1971, no norte de Itália, é o quarto de sete irmãos. É um rapaz calmo, positivo, sempre disponível. Em Milão, onde estuda, associa-se ao movimento Comunhão e Libertação. Sua fé em Jesus Cristo é fonte da sua alegria, força e esperança, tornando-o um jovem apaixonado por tudo quanto o rodeia. Daí nasce a sua maior aspiração: ser santo, desejo expresso precisamente durante a sua enfermidade.
Tem muitos amigos. Uma jovem dirá dele: “Era bom estar com ele, era sempre uma alegria porque para ele tudo era um presente e nunca uma obrigação.”

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PRIMAVERA(s) de DEUS – 22

SEAN DEVEREUX nasceu nesta data de 25 de novembro de 1964, perto de Londres, numa família católica, de origemSEAN DEVEREUX Cópia irlandesa. É dos pais que Sean herda a fé profunda, o sentido da responsabilidade e a compaixão solidária pelos mais desfavorecidos. Inscrito num colégio salesiano, destaca-se pelas suas qualidades de líder, bom humor e energia transbordante. Aí torna-se devoto do fundador dos salesianos, o P. João Bosco, identificando-se com o seu ideal e admirando seus métodos pedagógicos. Sonha, como ele, tornar-se professor e educador. Assim será, alguns mais tarde, lecionando geografia e educação física. Para reforçar seus laços à família salesiana, pede para ser recebido como cooperador leigo.

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PRIMAVERA(s) de DEUS – 21

24 de novembro de 1925, MARGARET SINCLAIR falece com tuberculose.Margaret Sinclair
Filha de um varredor municipal, tem uma infância feliz. A família é pobre, mas unida. Os numerosos filhos são educados com ternura. Frequenta a escola gratuita de religiosas. Aí revela-se uma criança tímida e sensível, mas muito viva e participativa na hora do recreio. “Deus não criou as crianças para brincar!?”, responde ela a uma religiosa que a acha demasiado turbulenta. Isso não a impede de ser aplicada nos estudos e piedosa na hora da missa.

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PRIMAVERA(s) de DEUS – 20

A 23 de novembro de 1927, era executado, sem julgamento, MIGUEL AGUSTÍN PRO.Miguel Agustín Pro Cópia
Seu crime: ser padre católico, durante a cruenta perseguição aos católicos, no México, na primeira metade do séc. XX.
Nascido em 1891, o jovem Miguel, desde cedo, revela a sua veia destemida e divertida. Educado numa família profundamente crente e filho de um engenheiro de minas, Miguel conjuga estudo, contacto com a dura realidade laboral dos mineiros e a consciência da fé. Aos 20 anos decide entrar no noviciado da companhia de Jesus. Mas com a revolução mexicana e a crescente onda persecutória à Igreja católica, viu-se obrigado a exilar-se nos Estados Unidos, onde prossegue a sua formação. De lá, vai para Espanha, para estudar filosofia. Depois de 4 anos na Nicarágua, onde leciona, regressa à Espanha. Entretanto, parte para Bélgica onde estuda teologia e se prepara para a ordenação sacerdotal que ocorre em 1925.

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PRIMAVERA(s) DE DEUS (2)

Nesta data, 3 de outubro, nascia ROSARIO LIVATINO (1952-90), na Sicília.ROSARIO LIVATINO Cópia
É filho único, numa família com grande ligação à magistratura. Acaba a escola com resultados excelentes. Dele dir-se-á que é “modesto e tímido, generoso, sério, simpático com todos e extremamente honesto…” Será a característica maior da sua existência: terá sempre horror às aparências e às mundanidades.
Pelo seu estudo e reflexão descobrirá que Deus é garante da liberdade e da justiça. Isto corresponde ao seu desejo e ajuda-o a escolher o seu caminho: o seu pai é advogado, ele será juiz. Sobre isso escreve: “A justiça é necessária, mas não suficiente, ela pode e deve ser dominada pela lei da caridade, que é a lei do amor: amor para com o próximo e para com Deus, mas o próximo enquanto imagem de Deus e, portanto, seguindo um modo não redutível à simples solidariedade humana”.
Nos anos 70 e 80 a Máfia domina na Sicília. A Cosa Nostra controla a maior parte do tráfico de heroína destinada aos Estados Unidos. O Estado tenta reagir mas apenas provoca um banho de sangue. A cada intervenção policial a Máfia responde por assassinatos de personalidades. O poder central decide confiar este baril de pólvora a jovens juízes vindos de toda a Itália. Rosario, residente local, naturalmente é incumbindo dessa missão.
Contudo, Rosario não recua. Sente-se como “missionário do direito”, como ele próprio o diz: “o direito pelo direito não tem nenhum sentido, é um absurdo do sistema jurídico: exercer a justiça é a realização de si mesmo, oração, dom total de si a Deus”. Não cessa de refletir sobre a relação justiça / fé e de o aprofundar na oração. Todas as manhãs reza numa igreja junto ao tribunal e assíduo à eucaristia dominical, alimentando-se da meditação da Sagrada Escritura e de outros autores espirituais. Homem de oração e de fé, Rosario é também um apóstolo da caridade: tem sempre atenção aos pobres, aos doentes e aos defuntos esquecidos pelas suas famílias.
Deseja fundar uma família, mas hesita e, depois, renuncia: o perigo a que se expõe a sua profissão não permite grandes planos de futuro. É uma dura prova, que ele carrega na solidão. Na preocupação de uma total independência e imparcialidade, recusa entrar no jogo dos clãs mafiosos, partidos ou movimentos. Por isso, acaba por ter poucos amigos. Essa situação afeta-o interior e espiritualmente, mas ultrapassa essa fase com mais determinação.
Rosário, embora não atue no terreno, oferece-se para tratar dos casos mais sensíveis por não ter a cargo uma família. Recusa uma viatura blindada para não alarmar os seus pais e rejeita escolta pessoal para não expor a vida de outrem ao perigo. É lúcido, mas resoluto. Confia-se a Deus e a Maria.
A 21 de Setembro de 1990, quando se dirigia para o tribunal, o seu carro é abordado por outro, de onde saem 4 homens armados que disparam sobre ele.
No seu funeral, o bispo da diocese afirmará que a única culpa de Rosario, assassinado aos 37 anos, foi a de ter sido um “juiz perigosamente honesto” e um cristão convicto que atuou à luz da sua fé.

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PRIMAVERA(s) DE DEUS (3)

A 5 de outubro de 1946, morria ALBERTO MARVELLI.ALBERTO Marvelli Cópia
Viu crescer e cair o fascismo na Itália. De família profundamente católica, Alberto recusa qualquer ligação ao partido do regime, preferindo identificar-se aos valores da Ação Católica. Inteligente, pacífico, mas dinâmico, forte de caráter, generoso e com elevado sentido de responsabilidade e justiça, desde cedo exerce uma influência positiva ao seu redor. Sua fé leva-o a defender os valores cristãos, mesmo em ambientes adversos. Assim será na universidade, desafiando professores, ou no serviço militar, onde condena a guerra (em pleno conflito mundial). Encontra a sua força na oração e na eucaristia.
Já sob o domínio alemão, Alberto desdobra-se para evitar a deportação de muito jovens, e apoiar as vítimas de bombardeamentos. Expondo-se ao perigo, era sempre o primeiro a sair a socorrer os feridos, a encorajar os sobreviventes, a assistir os moribundos, a retirar dos escombros possíveis vítimas. Dizia ele: “Quando houver necessidade, é preciso arriscar. Para ele, servir os outros era uma forma de apostolado.
A sua morte, por atropelamento, com apenas 28 anos, consterna toda a comunidade. A sua dedicação aos outros era reconhecida por todos.
Em 2004, é beatificado por S. João Paulo II.

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