Primavera 97 - ALPHONSA MUTTATHUPADATHU

ALPHONSA MUTTATHUPADATHU, é a primeira santa canonizada da Índia.ALPHONSA MUTTATHUPADATA 2
Anna, assim se chamava, nasceu na região de Kerala em 1910.
Seu nascimento ocorreu em circunstâncias dramáticas. Sua mãe, quase em final de gravidez, foi atacada por uma serpente. Tal acontecimento provocou o nascimento prematuro de Anna e o falecimento da progenitora. A órfã foi confiada a uma tia, que a educou severamente. Já adolescente, pretenderam comprometê-la em casamento. Porém, Anna tinha outras pretensões. Lendo a “História de uma alma” de Santa Teresa de Lisieux, decidiu imitá-la e consagrar-se a Deus: “Amava Deus mais intensamente, procurando evitar a mais pequena falta e rezando com fervor acrescido.”
A muito custo conseguiu demover a tia das suas intenções casamenteiras.

Finalmente, foi admitida entre as clarissas, iniciando o noviciado em Agosto de 1928. Recebeu o nome do santo do dia, Afonso de Ligório: passou a chamar-se Alphonsa da Imaculada Conceição.
Toda a sua vida religiosa foi marcada por diversas doenças que perturbaram a sua formação mas não impediram um fulgurante crescimento espiritual.
Fisicamente diminuída, foi desprezada por muitas das suas irmãs que a acusavam de simular suas enfermidades; outras criticavam a sua piedade simples, suspeitando-a de querer, com isso, agradar às suas superioras. Caluniaram-na perante as outras pessoas. A jovem religiosa calava-se mas reconhecia quanto lhe custava assumir o preceito do amor aos inimigos: “Era-me difícil, no início, amar aquelas que me causavam males, desejando não voltar a vê-las. Mas graças à oração e a um esforço constante, tornou-se fácil.”
Foi no auge dos seus sofrimentos que a sua comunidade religiosa descobriu toda a riqueza da sua espiritualidade através da universalidade da sua oração, a sua humildade e o seu total abandono a Deus: “Se sou humilhada e desprezada, refugio-me no Coração de meu bom Mestre e dou graças a Deus… Ó meu Senhor, esconde-me na chaga do teu Sagrado Coração!”
Alphonsa não viveu no dolorismo, mas percebeu o significado do seu sofrimento: “Ofereço-me como uma humilde hóstia pela salvação do mundo que corre para a sua ruína e pelos padres, religiosos e religiosas poucos fervorosos…”
Em Julho de 1945, sobreveio a última doença, tão aflitiva que nem as enfermeiras suportavam ficar ao seu lado, nem os médicos conseguiram explicar. Até porque parecia assumir as doenças dos outros, como aconteceu com o seu bispo, atingido pela malária. No mesmo instante em que este ficou misteriosamente curado, Alphonsa ficou a arder em febre. A cruz foi para ela um meio de se unir cada vez mais ao seu Salvador. Vendo-a tão sorridente, atenta aos outros, ninguém imaginava a agonia interior que suportava: “Só o meu Senhor Jesus conhece a intensidade e a diversidade dos meus sofrimentos (…) Compreendo agora que, no plano de Deus, a minha vida deve ser uma oblação, um sacrifício de sofrimentos, senão teria morrido há muito…”
O dia 28 de Julho de 1946, com 35 anos, a Irmã Alphonsa faleceu. Imediatamente, os fiéis acorreram em massa e recolheram-se junto ao seu túmulo. Não apenas cristãos, mas também muçulmanos e hindus… Numerosas graças e milagres lhes foram atribuídos. Referiamm-se a ela com o nome “Lótus púrpura da Índia”, flor que simboliza a emancipação na oferenda.
A 12 de Outubro de 2008, foi canonizada pelo papa Bento XVI. Dela, afirmou João Paulo II: “Ela soube encontrar a sua felicidade nas coisas simples e quotidianas (…) Não cessou de dar graças a Deus pela alegria e o privilégio da sua vocação religiosa… Ela amou o sofrimento porque amou Cristo sofredor e a Cruz através do seu amor por Cristo crucificado.”

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