Primavera 102 - JEAN-PAUL HYVERNAT

JEAN-PAUL HYVERNAT foi um padre da diocese de Versailles, França.JEAN PAUL HYVERNAT Cópia
Nascera em 1956, seguindo-se a 3 irmãos e antecedendo 3 irmãs. Sua adolescência e fé foram alimentadas pelo escutismo que se tornou uma das suas paixões.
Em dezembro de 1973, aos 17 anos, sentiu o apelo da vocação, decidindo torna-se sacerdote. A dúvida, porém, residia acerca do seminário a escolher, permitindo uma formação verdadeiramente católica, num ambiente de oração e fraternidade. Após “Maio de 68”, a Igreja francesa encontrava-se algo à deriva, à mercê de um certo liberalismo teológico. Este, sob o perigo de uma interpretação abusiva do Vaticano II, afetava a liturgia, a compreensão do Evangelho, a visão do sacerdócio ministerial e até alguns dogmas. Alguns setores da Igreja preferem “resistir” às mudanças. Alguma dessa resistência tornou-se dissidência, personalizada em Monsenhor Lefebvre que abre um seminário em Ecône.
Jean-Paul optou por ingressar nessa casa de formação, em fins de setembro de 1975. Contudo, a tensão e o distanciamento crescentes entre Lefevbre e o Vaticano levaram o jovem a preferir interromper seus estudos e iniciar o Serviço Militar, na esperança que a situação se pacificasse.

Em junho de 1978, deu-se o corte definitivo de relações entre os dissidentes e Roma, consumado no ano seguinte com a ordenação de bispos sem a autorização do papa.
Entretanto, Jean-Paul viajou para Roma, em fevereiro de 1978, para prosseguir os estudos em Teologia. Alguns meses depois, a feliz coincidência do novo papa vindo da Polónia ter escolhido o nome homónimo confortou-o na decisão tomada. Terminado o curso, viveu um ano de experiência pastoral numa paróquia dos arredores de Paris.
É finalmente ordenado no dia 23 de Novembro de 1983, na catedral de Versailles, pelo bispo da sua nova diocese. O jovem sacerdote revelava alta estima pela liturgia, tanto na oração do breviário como na celebração da eucaristia. A beleza da natureza, em especial das montanhas fascinava-o. É essa dupla paixão que procurou transmitir aos jovens que passou a acompanhar, através dos agrupamentos de escuteiros e guias. Para eles organizou inúmeras peregrinações, nomeadamente a participação nas Jornadas Mundiais da Juventude em Santiago de Compostela, em 1989, onde levou 340 jovens. Com eles, fala abertamente de tudo, transmitindo-lhes sempre o amor de Deus e a fidelidade à Igreja. Seu testemunho era contagiante e foi um fervoroso acompanhante espiritual. Muitos jovens, rapazes e raparigas, foram por ele encaminhados para a vocação de consagração.
Foi precisamente numa excursão pela serra que Jean-Paul foi vítima de um acidental mortal durante uma escalada com jovens, nos Alpes, a 28 de Agosto de 1991. Tinha então 34 anos. Regressava de Czestochowa, o famoso santuário mariano da Polónia, onde rezou e caminhou ao lado dos jovens que ele tanto amava e aos quais se dedicou plenamente.
Em 12 de Janeiro de 1986, tinha deixado escrito o seu testamento espiritual, quando tinha 29 anos. Nele percebe-se o significado do sacerdócio para este jovem padre e a grande paixão que nutriu por Cristo. Sem esse amor, não é possível ouvir o apelo de Deus e segui-l’O:
“Peço perdão a todos quantos posso ter magoado ou escandalizado durante a minha vida terrena. Perdão a todos aqueles que terão visto na minha vida sacerdotal um contratestemunho: o Sacerdócio é uma realidade tão bela que só podemos traí-la.
Teria querido ser um santo… Teria querido que todos fossem abrasados pelo Amor, teria querido ser um padre dado, comido, teria querido que todos fossem apaixonados por Cristo, quereria ter absolvido todos os pecados de todos os pecadores que encontrei, teria querido que Maria reine em todos para que todos sejam de Cristo, teria querido feito amar o Amor, teria querido que a Eucaristia fosse o centro da minha vida, teria querido… que um outro tomasse o meu lugar e subisse ao Altar e fosse um santo!
E rezai pelo pobre pecador que eu sou, eu que tanto traí o meu Deus, eu que não soube fazer penitência, eu que tanto preciso de Misericórdia.
Que os jovens, e entre eles os escuteiros e guias, sejam sedentos de Absoluto, de pureza, de transparência, de alegria e santidade.
Deus é Amor. A Igreja é bela, porque é sua: guiada por Maria, não me arrependo nada de quanto contemplei nela…
Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo. Louvor e Glória à Estrela da minha vida, Maria toda pura.
Jean-Paul Hyvernat, cristão, escuteiro, padre para a Eternidade.”

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