Deus fala-nos... também pela homilia

«A Liturgia é o âmbito privilegiado onde Deus nos fala no momento presente da nossa vida: fala hoje ao seu povo, que escuta e responde» (Verbum Domini, 52). Deus fala-nos pela Palavra proclamada, pelos sinais sacramentais e também pela homilia, que é parte integrante da Liturgia: «A homilia tem também um significado sacramental: Cristo está presente, tanto na assembleia reunida para escutar a sua Palavra como na pregação do ministro, através do qual o próprio Cristo, que outrora falou na sinagoga de Nazaré, ensina agora o seu Povo» (Diretório Homilético [DH] 4). «A missão do homileta é ajudar os fiéis a ler as Escrituras à luz do mistério pascal, de modo que Cristo lhes possa revelar o seu próprio Coração» (DH18).

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Jo 15, 9-17: uma proposta de leitura.

Na dissertação de mestrado que intitulei de "Permanecereis no meu amor - Uma leitura exegético-teológica de Jo 15, 9-17",JP tese apresentamos uma proposta de leitura que não pretende ser exaustiva desta perícope. Afinal, a riqueza dos textos evangélicos é sempre inesgotável. Debruçamo-nos sobre alguns aspetos que consideramos de maior relevância. São eles: a permanência no amor pelo cumprimento dos mandamentos, onde urge a temática do mandamento novo; e a participação dos discípulos no amor trinitário, com os frutos que daí brotam.

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Reconciliação:

Também chamado sacramento da conversão, nasce do apelo de Jesus à conversão e do esforço do pecador arrependido em tornar à casa do Pai (CIC 1423).65986552 1208417122695681 1252567623502135296 n

A conversão (contrição e propósito de uma vida nova) exprime-se mediante a confissão feita à Igreja e a remissão dos pecados obtém-se por meio da Igreja, remissão esta que é, ao mesmo tempo, reconciliação com Deus e com a Igreja (CELAM, 226). No Batismo os cristãos tornam-se «santos e imaculados» (Ef 1,4). No entanto, a vida nova com ele recebida não suprime a debilidade e a fraqueza da natureza humana, nem a inclinação para o pecado (CIC 1426). Todavia, o apelo de Cristo à conversão em vista da santidade e da vida eterna não cessa. Assim, ao fiel pecador, a Igreja espelhando a misericórdia de Cristo, concede-lhe, em nome do Senhor, o perdão, convidando-o, auxiliado pelo Espírito do Senhor, a um caminho de contrição e penitência, em vista da cura das suas debilidades, do fortalecimento contra a repetição do erro e de uma restauração da paz e da tranquilidade da consciência, bem como uma reconciliação plena com Deus e com a Igreja. Ele restitui a dignidade e os bens próprios da vida dos filhos de Deus. Por isso, restitui ao fiel, com propriedade, o nome de cristão.

É pela Igreja que Cristo age nos sacramentos

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz-nos que sacramentum é a tradução latina da palavra grega mysterion e que «exprime prevalentemente o sinal visível da realidade oculta da salvação» (CIC 774). Para afastar o perigo de conotações com as religiões mistéricas pagãs, os padres ocidentais preferiram a adoção do termo sacramentum, equivalente ao que nas Igrejas do Oriente prevalecem chamando “santos mistérios” (cf. CIC 774), e na liturgia ocidental na aclamação “mistério da fé” na Oração Eucarística.

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Unção dos doentes:

«A doença leva à angústia, ao fechar-se sobre si mesmo e até, por vezes, ao desespero e à revolta contra Deus mas também pode tornar uma pessoa mais amadurecida, ajudá-la a discernir […] à busca de Deus, a um regresso a Ele» (CIC 1501).60844257 2208655285880142 3558873754744389632 o

Neste sacramento, a Igreja atua como Cristo médico: pede aos doentes que acreditem em Deus e assim suportem melhor as contrariedades, testemunha-lhes a oposição da doença à bondade de Deus criador, comove-se com o seu sofrimento ("chora", Jo 11,35), identifica-se com eles, permite-lhes tocar a divindade que se lhes faz próxima ("tocou-lhe", Lc 8,44), compartilha os seus sofrimentos, procura curá-los, sempre numa incansável atitude de mostrar e fazer próximo o Reino ("as obras de Deus fossem reveladas na vida dele", Jo 9,3). Assim, este sacramento visa, sobretudo, auxiliar o fiel a não perder a fé e a esperança, agarrando-se, com todas as forças do coração e da mente, a Deus, tendo em vista a atenuação da dor física, evitando o temor, a angústia, o desespero, a sensação de solidão, ajudando a integrar a dor como parte inerente à vida humana.

Eucaristia:

Se o Batismo regenera na vida nova de Cristo, a Confirmação aperfeiçoa e a Eucaristia conclui. «A Eucaristia acaba e aperfeiçoa a iniciação cristã, como um ápice de um processo» (CELAM, 118).58430376 2149835211762150 5652484116122173440 o

Ela é fonte de vida batismal para os regenerados pela água e pelo Espírito pois nela o cristão, pela escuta da Palavra e pela comunhão do corpo e sangue de Cristo, encontra orientação para a sua vida e para a participação plena na comunidade eclesial. Ela recorda e torna presente o mistério da Cruz, que é a fonte batismal e é o auge da vida comunitária composta por três traços fundamentais: ensino dos apóstolos, comunhão, fração do pão e orações (Act 2,42-46). Ela marca a tensão entre a vida presente e a vida esperada com a última vinda do Senhor, entre a ceia terrena e o banquete das núpcias do Cordeiro (Ap 19,9). Enquanto comunidade reunida à volta do mesmo altar e que comunga o mesmo pão e o mesmo vinho, ela é espelho e fonte de unidade eclesial, contribui para edificar o corpo de Cristo ao mesmo tempo que o espelha e, por isso, faz cristãos aqueles que nela participam. Pela escuta da Palavra, pela comunhão do Corpo e Sangue de Cristo e pela oração de imprecação, ela é fonte de santidade para os fiéis, consolo para o sofrimento, remédio que fortalece a alma contra o pecado, alimento que restaura as forças físicas e orientação no Caminho para o Pai e, como tal, sacramento que cura as debilidades humanas.

A Confirmação:

Desde os primeiros tempos da Igreja que os apóstolos, e depois os bispos, seus sucessores, vem comunicando aos neófitos, pela imposição das mãos, o dom do Espírito para completar a graça recebida no Batismo (CIC 1288). 61641903 2216652125080458 7731584836728520704 o

Este sacramento confirma o Batismo e consolida a graça batismal, fortalece e interioriza os aspetos contidos em gérmenes no Batismo, levando o cristão «à “maturidade” ontológica […] e à “maturidade” que o capacita a cumprir a sua missão na Igreja e no mundo» (CELAM , 105). Dele faz parte a unção com o óleo crismal, cujo nome advém de Cristo, o ungido de Deus - aquele que «Deus ungiu com o Espírito Santo» (At 10, 38). «Por meio da confirmação, o batizado transforma-se, como Cristo, no ungido do Senhor» (CELAM, 99). O óleo arrasta consigo todo um campo de significados: unção de reis, profetas e sacerdotes; alimento para a luz das candeias; sinal da abundância e de alegria; purifica e torna agradável com o perfume; torna ágil e impede de ser agarrado e domado pelo inimigo; suaviza as dores e cura as feridas (Mc 6,13); etc. O confirmado é marcado com o selo do Espírito Santo (Ef 4,30; 2 Cor 1,21-22), é sua propriedade e ao mesmo tempo símbolo autentificado da sua pessoa (CIC 1295). A confirmação “reaviva” o dom recebido no Batismo, contribui e torna visível a edificação da Igreja na diversidade de carismas e «simboliza perfeitamente a incorporação plena a Cristo, rei, sacerdote e profeta» (CELAM, 99) e como tal, a edificação do corpo de Cristo, por isso nos faz cristãos. Ao mesmo tempo, cura o Homem na medida em que mantém viva nos fiéis a sua Palavra e os seus efeitos, comunica a plenitude do Espírito e a vida nova em Cristo ressuscitado, constitui-nos novas criaturas regeneradas, liberta-nos da escravidão da lei e da fragilidade da carne, tornando presente em nós a glória do Senhor e transformando-nos à sua imagem.

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