Santos (im)Populares

ManjericosChegou o mês dos Santos Populares. Mês de festa, sardinhada, martelos, amigos e imensas coisas próprias deste mês de junho. Mas este ano é diferente. Já não vão existir aquelas noites longas de festa e reencontros. De abraços e de alegria. Contudo, é certo que as histórias desses Santos não são nunca esquecidas.
Podíamos muito bem falar do nosso grande Santo António de Lisboa que pregou aos peixes. Ou até de São João Baptista que anunciou a vinda do Messias. E mesmo até falar de São Pedro, o primeiro Papa da Igreja. Certamente teríamos muito para falar destes Santos popularíssimos que estão sempre num altar das nossas Igrejas ou até nas nossas casas.

Contudo, este artigo é um pouco diferente. Não vamos falar das histórias de Santos conhecidos. Falaremos sim, de Santos que a Igreja celebra também neste mês de junho, mas que muitas vezes nos passam ao lado.
Comecemos por um santo do início da Igreja. São Cirilo de Alexandria foi Patriarca de Alexandria no século IV e é considerado um dos Doutores da Igreja. É graças a este santo que ainda hoje chamamos a Nossa Senhora como Theotókos (Mãe de Deus). Foi ele que durante o Concílio de Éfeso defendeu que Nossa Senhora deveria ser chamada de Mãe de Deus porque gerou no seu ventre Deus na pessoa do Seu Filho. Celebramos a sua memória a 27 de junho.
Passemos agora para uma Beata do século XX. Hildegarda Burjan foi uma política e ativista social austríaca, mãe de família, fundadora da Sociedade de Vida Apostólica Caritas Socialis. Destinava-se na ajuda a várias obras de assistência social e caritativo. Burjan criou várias organizações para a promoção dos direitos das mulheres e para os direitos de todos os trabalhadores e suas famílias e ainda foi eleita para o Parlamento Austríaco. Celebramos a sua memória a 11 de junho.
Olhamos agora para Paio de Córdoba. Santo do século X com apenas 13 anos de idade. Tendo participado, como pajem, na dura batalha que opôs Ordonho II de Leão a Abderramão III, emir de Córdoba, foi feito prisioneiro e levado para esta cidade. As negociações entre as partes permitiram a libertação do tio bispo, mas Paio teve de ficar como refém, apesar de ter apenas 13 anos de idade. A sua formosura encantou tanto o rei como um dos seus filhos, que tudo fizeram para o seduzir. A todos resistiu o jovem, o que exacerbou a ira do rei que o mandou torturar até que lhe cedesse. No entanto, a fortaleza de ânimo de Paio foi superior à violência da tortura e acabaram por lançá-lo ao rio Guadalquivir. Celebramos a sua memória a 26 de junho.
Voltando aos Santos do século XX, olhamos agora para Santa Maria do Guadalupe. Foi uma religiosa mexicana, co-fundadora da Congregação das Servas de Santa Margarida Maria e dos Pobres. Procurou atender os enfermos, que estavam com dificuldades materiais, e também procurava sempre atender esses doentes espiritualmente. Durante as épocas de crise a congregação viu-se obrigada a mendigar nas ruas para obter fundos. Celebramos a sua memória a 24 de junho.

Por fim, falamos de um Santo mais ou menos conhecido que, de vez em quando aparece nos livros de História. São Luís Gonzaga, jesuíta, santo do século XVI. Luís Gonzaga era o primogénito da família Gonzaga, família de renome em Itália. Depois de todo o treinamento militar, Luís, ao ler a vida de missionários jesuítas sentiu uma enorme vontade de ingressar na ordem. Renuncia então aos seus direitos da herança e torna-se jesuíta. Em 1591 eclodiu uma praga em Roma e rapidamente Luís oferecesse para ajudar a cuidar das vítimas num hospital fundado pelos jesuítas. Foi infetado pela doença, mas mesmo assim não deixou de ajudar quem mais precisasse não ter mais forças. Morreu nesse mesmo ano com 23 anos. Celebramos a sua memória a 21 de junho.
Como vemos, existem outros Santos para além daqueles que conhecemos com histórias de vida incríveis e cheios de amor por Jesus Cristo e a sua Igreja. São histórias diferentes, mas o ideal é sempre o mesmo: Jesus. É importante sabermos que a santidade está ao alcance de qualquer um.