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É pela Igreja que Cristo age nos sacramentos

O Catecismo da Igreja Católica (CIC) diz-nos que sacramentum é a tradução latina da palavra grega mysterion e que «exprime prevalentemente o sinal visível da realidade oculta da salvação» (CIC 774). Para afastar o perigo de conotações com as religiões mistéricas pagãs, os padres ocidentais preferiram a adoção do termo sacramentum, equivalente ao que nas Igrejas do Oriente prevalecem chamando “santos mistérios” (cf. CIC 774), e na liturgia ocidental na aclamação “mistério da fé” na Oração Eucarística.

Com o tempo, embora não rigidamente, o termo mysterium adotou um sentido de realidade sobrenatural, ao passo que sacramentum o sentido de instrumento eficaz da graça santificante. Nos primeiros 4 séculos, os padres latinos raramente utilizam o termo mysterium para falar de sacramentos; restringem-no, quase sempre, ao que são as verdades da fé. St. Agostinho refere que: «Nem há outro mistério senão Cristo. A obra salvífica da sua humanidade santa e santificadora é o sacramento da salvação, que se manifesta e atua nos sacramentos da Igreja (que as Igrejas do Oriente chamam também “os santos mistérios”)». Ora, são sete os sacramentos; sinais e instrumentos «pelos quais o Espírito Santo derrama a graça de Cristo, que é a Cabeça, na Igreja que é o seu Corpo» (CIC 774). Por sua vez, «a Igreja em Cristo é como que o sacramento ou sinal e instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (LG 5). É pela Igreja que Cristo, agora sentado à direita do Pai, derramando o Espírito Santo, age pelos sacramentos, que instituiu para comunicar a sua graça de forma sensível e acessível à humanidade de todos os tempos, comunicando-nos a vida divina. Não estando confinada unicamente a eles (cf. Pedro Lombardo), os sacramentos «realizam eficazmente a graça que significam, em virtude da ação de Cristo e pelo poder do Espírito Santo» (CIC 1084).