Da bússola ao radar e do radar à rede

A etapa da Configuração 14jav2021 form compl configuracao2(Clicar para aumentar a imagem)II do Seminário Interdiocesano de São José realizou, no passado dia 14 de janeiro de 2021, por via telemática, um encontro de formação complementar sobre Comunicaçã Social e Doutrina Social da Igreja (DSI). Solicitámos, para o efeito, a vasta experiência do Padre Tony Neves, missionário espiritano, formado em jornalismo e doutorado em Ciência Política, com a tese "Angola, Justiça e Paz", atual Coordenador dos Espiritanos para a Justiça, Paz e Integridade da Criação e Diálogo Inter-Religioso, a coordenar os contactos com os espiritanos da Península Ibérica e várias regiões da América Latina.

De tudo o que se aprendeu com o testemunho deste missionário jornalista, sintetiza-se que o primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações, ao qual se liga o vastíssimo mundo da cultura, da pesquisa científica e das relações internacionais que favorecem o diálogo e levam a novos projectos de vida.

Vivemos numa sociedade da informação que nos satura indiscriminadamente de dados, todos postos ao mesmo nível, e acaba por nos conduzir a uma tremenda superficialidade no momento de enquadrar as questões morais. Por isso, urge utilizar todos os meios à nossa disposição neste campo para dar voz àqueles que não a têm, em favor da justiça. No vasto mundo das redes sociais, nem tudo ajuda a cumprir a DSI, sendo preciso um criterioso cuidado na hora de comunicar ou de dar valor ao que é contemplado na sociedade.

A Igreja sempre foi uma boa comunicadora, fazendo com que o testemunho faça parte da comunicação em favor dos mais pobres e necessitados. Através de reportagens e crónicas, podemos, de facto, com a alegria que caracteriza o pontificado do Papa Francsico, amplificar o grito dos pobres, falar em nome das pessoas que não têm voz.

Esta dimensão da pastoral é daqueles aspetos que não devem faltar na formação permanente dos presbíteros, exigindo a colaboração de todos, a partir da dinâmica da "rede", uma vez que esta é a melhor "parábola" para ligar aqueles "pontos soltos" que eram o objeto da sonda do "radar", para além da mera procura do "norte" através da antiga bússola.