Primavera 94 - MÁRIO HIRIART PULIDO

MÁRIO HIRIART PULIDO nasceu a 23 de julho de 1931, em Santiago do Chile.MARIO HURIART PULIDO
Seus pais eram indiferentes à religião. No entanto, decidiram confiar a educação de Mário e seu irmão aos irmãos Maristas, com o intuito de receberem uma formação de qualidade. Nesse colégio e, sobretudo, pela influência da sua avó materna, aprenderam a catequese e o gosto da oração.
Mário foi uma criança sossegada. Nada o distinguia dos outros, a não ser na escola onde a sua inteligência, muito superiora à média, se evidenciou até ao final da sua escolaridade.
Aos 15 anos, juntou-se ao grupo da Ação Católica, expressamente constituído para estudantes. Dois anos depois, alguns deles abraçaram a espiritualidade de Schönstatt. O fundador desse movimento, o p. Joseph Kentenich, visitou o Chile em 1949 e abençoou o primeiro santuário mariano do país, Nossa Senhora de Bellavista. Mário assistiu à cerimónia. Nove dias depois, pronunciou sua “aliança de amor” com a Virgem Maria, forma específica de compromisso nesse Movimento.

A comunidade universitária de Santiago do Chile, à qual pertencia Mário (iniciara entretanto estudos de engenharia), revelou-se ser uma escola de evangelização entusiasta e comprometida na realidade do quotidiano. O jovem estudante experimentou aí uma forma de vida que lhe agradava, baseada na coerência entre fé e ação, entre palavra e apostolado.
Seu crescimento espiritual foi marcado por provações: a morte da sua mãe, após ter regressado à fé e recebido os sacramentos; o sofrimento íntimo de um amor não correspondido; outros lutos e afastamento de amigos que não entendem as suas aspirações… Tudo isso levou-o discernir a sua vocação. Decidiu consagrar-se totalmente a Cristo, pelas mãos de Maria. “Ajudai-me a ser um novo simão de Cirene, que acompanhe Jesus carregando sua cruz até ao Calvário para Lhe estar plenamente unido.”
Recebeu o prémio de melhor engenheiro do país. Foi contratado pela CORFO, organismo do Estado encarregado de coordenar o programa de modernização e industrialização do país. Nesse meio laboral, profundamente imbuído pela maçonaria, fundou e promoveu grupos de oração e evangelização, reunindo no apostolado engenheiros e operários. Entendeu assim exercer um “sacerdócio cultural”. Era fiel à eucaristia e à oração quotidianas, centro da sua vida de leigo consagrado no celibato. Alma contemplativa, era sensível à beleza da criação.
Em 1957, ingressou no Instituto secular dos Irmãos de Maria de Schönstatt, realizando seu noviciado no Brasil. No seu regresso, lecionou a cadeira de mecânica e geometria analítica, na universidade católica do Chile. O magro salário permitiu-lhe viver de forma pobre, como opção de vida. Atento aos acontecimentos eclesiais, políticos e culturais do seu tempo, Mário entregou-se ao apostolado na capital e em diversas localidades. Desdobrou-se em múltiplas atividades: organizou estruturas de acolhimento e assistência para estudantes pobres, assegurou recoleções e conferências para universitários e acompanhamento de jovens casais.
Em 1964, viajou até Alemanha para um estágio de formação. Regressa pelos Estados Unidos, onde se encontrou com o P. Kentenich. Foi sua última alegria, pois faleceu a 15 de julho, a poucos dias de completar 33 anos, levado por um tumor irreversível.
O P. Kentenich disse dele: “Encarnou o ideal a que todos nós aspiramos… Era muito humano. Possuía uma inteligência clara. Estava totalmente comprometido com a missão. Tinha uma personalidade disciplinada. A fé captou todo o seu coração.” Na verdade, sua decisão de se tornar e viver como cristão, num ambiente adverso e período difícil, foi muito consciente. Seu labor apostólico, simultaneamente discreto e ardente, são exemplo para os nossos tempos. A coesão da sua fé e vida, na simplicidade e autenticidade, seu contacto atento e respeitoso com muitas pessoas, lugares e ideias não cristãs, fazem dele uma referência num mundo necessitado de credibilidade.
Seus restos mortais repousam no Santuário de Bellavista, desde o dia 16 de outubro de 1965.
Sua causa de beatificação foi entretanto introduzida. Em fevereiro de 2020, o papa Francisco reconheceu as virtudes heroicas de Mário, declarando-o venerável.

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