Primavera 87 - GIUSEPPINA SURIANO

GIUSEPPINA SURIANO nasceu em 18 de fevereiro de 1915, na Sicília, Itália.GIUSEPPINA SURIANO
Era de uma família modesta, sendo o pai lavrador enquanto a mãe cuidava das crianças. Na escola, era uma aluna atenta e entusiasta. Conquistava a amizade e a estima de todos pela sua bondade e alegria. O que as pessoas consideravam um feliz caráter, na verdade, correspondia à sua determinação em agradar a Jesus. Para tal, todos as oportunidades são boas: ajudar a mãe, cuidar dos irmãozinhos, ser bondosa com as companheiras, obediente com as mestras, mostrar-se amável e atenta com as meninas mais desfavorecidas… e rezar. Ela amava rezar e fazer rezar. Muito jovem, revelou-se uma autêntica apóstola.
Com apenas 10 anos, integrou a Ação Católica. Aí encontrou como dirigente Maria Adamo. Será para ela uma mentora que a vai ajudar a progredir na oração, iniciando-a na meditação. Esta mulher tinha como projeto fundar um Instituto Secular consagrado ao Sagrado Coração de Jesus, cujos membros se empenhariam em viver e propagar a mensagem do Evangelho no seu meio de vida e segundo o seu estado próprio. Ao grupo inicial, chamou Cenáculo. A jovem Pina juntou-se-lhes quando tinha 12 anos. Aí rezava, visitava os doentes e idosos, ajudava os pobres, dava catequese e colaborava no serviço paroquial.

Com 15 anos, ansiava pelo absoluto. Inicialmente agradados com a postura da filha, os pais começaram a recear que tanto zelo se transformasse em desejo de consagração. Para eles, estava fora de questão que a sua única filha fosse religiosa. Giuseppina, de forma particular e do conhecimento exclusivo do pároco, consagrou-se a Deus, com um voto privado, pronunciado a 29 de abril de 1932. Esse implicava para a jovem de 17 anos a virgindade, mas também o radical desapego de tudo e um abandono incondicional à vontade de Deus. “Jesus ama-me, tenho a certeza. Também eu O amo, acima de tudo, e meu maior desejo é fazer, em tudo, a sua vontade e de fazer disso a minha felicidade.”
Ela pressentiu um verdadeiro combate espiritual que veio a concretizar-se. Seus pais proibiram-na de participar nas reuniões da Ação Católica, depois nas atividades da paróquia. Argumentavam que precisavam da sua ajuda. Também os rapazes começaram a rondar à sua volta. Ela era atraente, mas foi sobretudo a sua exemplaridade e testemunho que os cativara. Os pais esforçaram-se por afastá-la de tudo e de todos. Pina perdoou-lhes e rezava por eles, apesar de gritarem com ela, de a recriminarem e, por vezes, a agridem.
Finalmente, passado algum tempo, foi-lhe concedida alguma liberdade. Acompanhada espiritualmente por um padre passionista, Pina progrediu no despojamento enquanto cooperava na vida pastoral da paróquia. De tal maneira que se tornou a alma da comunidade. Mais tarde, dirão dela que “revertia o amor de Jesus sobre as almas que dela se aproximavam”.
Dotada de grande discernimento, ajudava numerosas pessoas no seu caminho, encorajando, reconfortando, levando a paz a famílias desavindas. Seu sorriso e doçura deixavam adivinhar uma profunda vida interior. Sua oração contemplativa nutria-se da eucaristia.
Em maio de 1947, escreveu ao Padre Pio de Pietrelcina, famoso franciscano (entretanto canonizado) para lhe pedir conselho vocacional. Ela continuava a sonhar com a vida consagrada. Os pais, por fim, consentiram. Mas outras contrariedades se ergueram: a falta de saúde ou a exigência de um avultado dote para ingressar na vida religiosa impediram-na definitivamente de realizar o seu sonho.
Giuseppina acatou a sua sorte. A 30 de março de 1948, fez o ato de oferecimento de si mesma pelos sacerdotes. “O objeto constante de todos os meus esforços será pela santificação dos sacerdotes e, de forma especial, por aqueles que caíram ou se encontram em perigo… que eles sejam santos e santifiquem o Teu povo…”
Os seus últimos dois anos foram de agonia para a sua alma, imolando a sua vontade ao querer divino. Ninguém jamais percebeu a sua dor, pois seu sorriso era constante e mostrava-se disponível para todos, numa caridade perseverante e delicada. Morre na manhã de 19 de maio de 1850, fulminada por um enfarte.
Giuseppina Suriano foi beatificada a 5 de setembro de 2004, sendo considerada uma das figuras mais luminosas da Ação Católica italiana.

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