Primavera 86 - MARIA MARGIT BOGNER

MARIA MARGIT BOGNER nasce no sul da Hungria.MARIA MARGIT BOGNER
Etelka (Adelaide), seu nome de batismo, é a filha mais velha do segundo casamento do seu pai, viúvo. É a única rapariga entre rapazes. Viva, risota, voluntária e afetuosa, é a “pequena rainha” da família e o “raio de sol” para seu pai.
Na escola revela determinação. À professora, ao pai, ao padre da paróquia repete a mesma afirmação, acompanhada da pergunta: “Quero ser santa! Como se faz se ser santo?” É-lhe explicado que é preciso seguir Jesus, no caminho da cruz. É o que a vida se apressa em ensinar-lhe.

Em 1914, toda a família contrai a escarlatina. Duas crianças falecem e Etelka restabelece-se dificilmente. No ano seguinte, é atingida por osteíte na anca. Tem de manter-se acamada, enquanto se submete a um doloroso tratamento. Em consequência, permanecerá com uma perna rígida. Depois, seu pai tão amado morre, precocemente, com 40 anos.
Em plena guerra, os anos negros da família só estão a começar. No final do conflito, o sul do país é anexado pela Sérvia. A família Bogner, para manter a nacionalidade húngara, aproxima-se de Budapeste. Vivem pobremente, mas sem lamento. A jovem Etelka prossegue a sua escolaridade. Espevitada e dotada para a imitação e caricatura, provoca a hilaridade da turma, tornando-se muito popular e fazendo muitas amizades.
Obtém bons resultados escolares e, em 1919, inscreve-se numa escola comercial. Três anos depois, encontra trabalho numa grande empresa da região.
Em 1923, recebe o sacramento da Confirmação. É aqui que se apaixona, literalmente, por Cristo. Até aí piedosa, apesar da sua tendência para a brincadeira, despertam nela grandes desejos, e renovam-se aspirações imensas sobre santidade. O contacto com os escritos de Santa Teresa do Menino Jesus, canonizada em 1925, coroam o que ela apelida sua conversão. A 25 de agosto, promete a si mesma de evitar todo o pecado venial e de apenas buscar o que agrada a Deus. Passa a encarar o Carmelo como seu destino vocacional. Enquanto aguarda, progride na perfeição. Ao seu redor, todos se admiram da sua evolução.
Porém, a sua claudicação torna-se impedimento para entrar no Carmelo. A futura fundação de religiosas austríacas, da Ordem da Visitação, em Erd, perto de Budapeste, torna-se a alternativa. Seu pedido é aceite. Em 1927, inicia seu noviciado na Áustria. Deixa seu país e sua família, assim como todas as suas atividades (Apostolado da Oração, Congregação mariana, os pobres, doentes e crianças desfavorecidas, de quem cuidava com muito amor). Sente esta separação, mas Jesus espera-a. Noviça exemplar, faz parte do grupo de religiosas que abre o convento da Visitação em Erd, no ano seguinte.
Em 1929, emite os votos simples, sob o nome religioso de irmã Maria Margit (Margarida). É na fidelidade no cumprimento perfeito das pequenas coisas que decorre sua nova vida. Suas companheiras admiram a sua simplicidade, delicadeza e sua alegria potenciada pelo humor. Percebem nela a prontidão para os sacrifícios, no serviço e afabilidade com todas.
Pouco depois dos seus votos solenes, a 16 de maio de 1932, descobrem que ela tem tuberculose avançada. No início da sua caminhada vocacional com as religiosas tinha escrito: “Jesus, com a tua ajuda, prometo mostrar sempre um rosto sorridente. Nunca chorarei, por mais pesada que seja a cruz que me enviares.” E assim o realiza. Ao longo de perto de um ano, consome o seu sacrifício na paz, na ação de graças, na solicitude e delicadeza para com todas antes de falecer assegura: “No Céu, não esquecerei ninguém.”
Morre serenamente, a 13 de maio de 1933, depois de ter murmurado “Obrigada”. A descoberta do seu diário espiritual revelou a sua doação por Cristo e pela humanidade. Em 2012, é declarada venerável pelo papa Bento XVI.

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