Primavera 74 - RACHEL JOY SCOTT

20 de abril de 1999: o Columbine High School, no estado do colorado – EUA, era notícia internacional.RACHEL JOY SCOTT
Um tiroteio vitimara 12 estudantes e um professor. Os autores, dois jovens alunos desse estabelecimento escolar, suicidaram-se de seguida. Pelo arsenal adquirido e explosivos espalhados em lugares estratégicos da escola, percebeu-se que tudo fora planeado para que fosse uma tragédia ainda maior. O massacre chocou o mundo e lançou inúmeros debates, sobre a violência, uso de armas, valores, etc., muitos dos quais continuam sem consenso nem resposta.
Entretanto, dentro de toda esse drama, uma história vale a pena ser conhecida: a da jovem RACHEL JOY SCOTT, a primeira a ser abatida, quando almoçava com um amigo no recinto exterior, naquilo que deveria ter sido um belo dia de primavera. Mas sua vida – e testemunho – revelou ser uma autêntica primavera de Deus.

Seu diário, encontrado na mochila, deu a conhecer a sua viva e sincera vida espiritual, e a crescente relação que mantinha com Deus. A Ele redigiu centenas de mensagens, expressando gratidão por tudo, partilhando suas dúvidas e temores, sonhos e desafios.
Rachel experimentava a necessidade irresistível de comunicar o seu amor por Deus a todos. Partilhava a sua fé vivendo-a plenamente e pedindo a Deus que também os outros pudessem descobrir a mesma luz divina. “A sua sinceridade para consigo mesma era admirável. Não deixava que ninguém influenciasse a sua identidade… Era fiel a si mesma e, assim, sincera com os outros” (Nick Baumgart, rapaz que a levou ao baile de promoção).
Como qualquer outra adolescente da sua idade, Rachel experimentava dificuldades e tentações. Em vez de calar o seu sofrimento ou de fugir dele, tomava consciência, aprendia dele e pedia a Deus que a acompanhasse a fim de vencer essa prova. Percebia que tinha de renunciar à tentação de tudo controlar e que tinha de se abandonar nas mãos de Deus. Sabia que a sua graça toca-nos mais profundamente quando somos fracos do que quando nos sentimos fortes. O tabaco, o álcool e o sexo eram tentações fáceis que exigiram luta da sua parte. Apaixonou-se por um rapaz, mas consciente de que poderia infringir os valores em que acreditava, tomou a difícil decisão de se afastar dessa relação para não trair aquilo a que era chamada a ser.
Era profundamente honesta consigo mesma e experimentava uma sede profunda de Deus.
Nos últimos anos da sua vida, seus familiares jamais a ouviram dizer mal de quem quer que fosse, mesmo quando se viu desprezada pelas suas amigas ao decidir viver a sua fé mais seriamente.
Alegre e cheia de vida, envolvia-se em mil atividades (teatro, desenho, poesia…). Rachel sabia que não era perfeita, mas compreendia que Deus realizava uma obra maravilhosa nela. N’Ele, confiava plenamente. Por isso, encarava a vida com esperança: “Amanhã não é uma promessa mas uma oportunidade”.
Rachel nutria um profundo sentido de justiça, sempre disponível para ajudar pedintes ou pessoas necessitadas. Aproximava-se naturalmente daqueles que eram frequentemente desprezados ou humilhados na sua escola. “Rachel foi a primeira pessoa que veio até mim e que me abriu o seu coração tornando possível a minha integração… Ela punha sempre de parte os seus sentimentos para dar prioridade aos outros” (Brianna Cook).
Tudo isso comprova que Rachel percebeu que a vida cristã não consiste em ser “alguém”, nem tornar-se famoso ou “grande”. A vida cristã é deixar Jesus ser em nós.
Isso passou a ser tão claro para ela que não se envergonhou de tornar mais visível a sua ligação a Deus. Na escola, muitas vezes ia contra a corrente. Nas festas escolares apostava em fazer mímicas alusivas a episódios bíblicos, mesmo sabendo que sofreria o gozo e escárnio de colegas. Fazia-o conscientemente, pronta a pagar o preço do seu testemunho.
Um ano exatamente antes do massacre de Columbine, Rachel escreveu a uma amiga: “Perdi todas as minhas amigas da escola. Agora que comecei a pôr as palavras em prática, escarnecem de mim… Não tenho mais nenhum amigo verdadeiro na escola. Mas, sabes, a meus olhos, vale a pena. Eu não pedirei desculpa por falar no nome de Jesus, não tenho de justificar a minha fé diante delas e não esconderei a luz que Deus depositou em mim. Se tenho de sacrificar tudo, eu fá-lo-ei. Fá-lo-ei.
De modo nenhum fanática, nem proselitista, Rachel punha Deus sempre em primeiro lugar, antes da família, dos amigos ou do seu próprio futuro. “Deus. Verdadeiramente, não penso em nada mais. Desejo tanto serví-l’O!… O facto de contar com Ele na minha vida faz toda a diferença.”
Finalmente, chega o fatídico dia 20 de abril 1999. Onze meses antes da tragédia, a 2 de maio de 1998, escrevera no seu diário a convicção da sua morte próxima: “Será o meu último ano, Senhor. Recebi o que podia. Obrigada.” Na manhã da tragédia, Rachel desenhou no seu diário, olhos que vertiam 13 lágrimas sobre uma rosa. O número exato das vítimas de Columbine, cujo nome designa uma flor.
Várias testemunhas afirmam que os agressores foram movidos pelo ódio, nomeadamente à fé. Ao apontarem o cano da espingarda à cabeça de Rachel, perguntaram-lhe: “Continuas a acreditar em Deus?” O amigo que almoçava junto dela (sobreviveu apesar de ferido) testemunhou sua resposta: “Tu sabes que sim!”

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