XXIII Domingo Comum (A)

GANHAR O IRMÃO23 COMUM AA

LECTIO DIVINA – Um Roteiro

0. Preparo-me
Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
- Leio pausadamente Mt 18,15-20.
- Sublinho e anoto o mais significativo.

Entramos no quarto grande discurso de Jesus, em Mateus. Este centra-se em orientações para a Igreja que se quer fiel a Cristo. Entre elas está a prática do perdão. Jesus desafia-nos à correção fraterna, esgotando todas as vias para resgatar um irmão.

2. O que me diz Deus
- Que pensamentos e sentimentos despertam em mim esta passagem?
Jesus insiste na importância da comunhão fraterna. Esta implica a todos. Por isso, também eu a devo preservar. Os erros e desavenças podem ocorrer, pondo em perigo a unidade na família, no grupo, na comunidade... Porém, maior do que toda a ofensa, o verdadeiro drama é perder o irmão. No meu percurso existencial, “perdi” alguém? Deixei que a mágoa e o ressentimento ocupassem o lugar de um irmão? Que posso fazer para recuperá-lo? Estou disposto a isso? Como diz um provérbio angolano, “se a erva cresceu entre a minha casa e a dos meus parentes, é sinal que o amor morreu”.

3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, pedes-me que não desista do meu irmão, ainda que haja ofensa. Indicas-me como fazer, através de uma e outra maneira. Se nada resultar, dizes que posso encará-lo “como pagão ou publicano”. Mas quem o recorda é o evangelista Mateus, o publicano de quem não desististe. Está tudo dito! Terei eu a mesma persistência?
Porém, o que acentuas é que ele é meu irmão. Daí a necessidade da correção fraterna. Mas quantas vezes a uso para apontar o erro alheio ou para me realçar. Posso ser irmão se pratico mais a murmuração que a correção cristã, o juízo que o perdão!?
Para Ti, o importante não é mostrar ao outro o que fez mas sim revelar o que, por ele, sou capaz de fazer. Senhor, ajuda-me a nunca me resignar em perder um irmão. Como Tu, leva-me a jamais desistir da “ovelha perdida”, tal como o fazes comigo, repetidas vezes.

4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, por Ti aprendo a não sepultar o amor, a curar mágoas. Porque não desistes de ninguém, louvo e agradeço. Adoro e contemplo.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES
- Como reajo perante as ofensas?
- Que penso e faço com aqueles que falham?
- Sou instrumento de reconciliação no meu ambiente?
- Procuro reconciliar-me com Deus e com os outros?

UM PENSAMENTO
“Quando saí em direção ao portão que me levaria à liberdade, sabia que, se não deixasse minha amargura e meu ódio para trás, permaneceria ainda na prisão.” (Nelson Mandela)

UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de não desistir de ninguém.

UMA ORAÇÃO-POEMA

Quanto vales para mim, irmão?
Do mesmo sangue nascidos
ou pela fé unidos,
com ou sem passado compartido
soluçado e gargalhado,
que futuro nos destinamos
se nosso presente azedamos
em razões que amordaçam
nosso coração?

Que preço me disponho pagar?
Se, por ti, um Deus se fez pastor
correndo vales, galgando montes
só para te reencontrar são
e, sobretudo, salvo…
Negar-te-ei o abraço de uma palavra!?
Ou, do dissabor da distância, te livrarei
só para não te perder o sabor,
meu irmão.

UMA CANÇÃO
Needtobreathe – Brother

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