Domingo de Ramos (Paixão do Senhor) - A

UMA VIA TORNADA SACRARAMOS A

LECTIO DIVINA – Um Roteiro

0. Preparo-me
Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
- Leio pausadamente Mt 21,1-11.
- Sublinho e anoto o mais significativo.

Montado num jumentinho, Jesus entra em Jerusalém, aclamado pela multidão que reconhece n’Ele, o “Filho de David”, o Enviado de Deus.

2. O que me diz Deus
- Que pensamentos e sentimentos despertam em mim esta passagem?
Este domingo inicia a Semana Santa, Semana Maior e central da nossa fé. Através dela, sou convidado a acompanhar os passos de Cristo nos seus últimos dias terrenos. Hoje, Jesus entra triunfalmente em Jerusalém. Mateus, o evangelista, cita o profeta Zacarias para identificar Cristo como rei diferente: pobre, manso e humilde. Não se impõe. Mas desafia-me a tomar posição: sigo-O ou deixo-O carregar sozinho a cruz? É o seu amor (e não a dor), na minha vida, que torna o meu quotidiano num caminho “sacro”.

3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, imagino-Te chegado à minha cidade, percorrendo bairros e ruas… a entrares na minha vida. Sê bem-vindo! É tão necessária a tua presença neste tempo carente de Páscoa. Como a multidão de outrora, exulto em júbilo.
Porém, interpela-me que, tão depressa, se possa passar de admirador a acusador, reclamando tua morte, violenta, cruel e injusta. No relato da tua paixão, todos Te falham. Os discípulos adormecem e fogem. Judas trai. Pedro nega. Os judeus acusam, caluniam e condenam. Pilatos lava as mãos. Os soldados escarnecem. Outros insultam. Só o Cireneu ajuda… possivelmente contrariado.
Por fim, o centurião reconhece-Te Filho de Deus… demasiado tarde.
Aconteceria o mesmo hoje, na minha cidade? Provavelmente.
Eu, incoerente e inconsistente, teria feito melhor? Quero Páscoa, mas sem cruz.
Ensina-me, Senhor, a carregá-la, convertendo-a em oportunidade de Graça, além da dor, do medo e da dúvida. Seguirei conTigo, até à Páscoa…

4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, percebo que me salvas não da cruz, mas na cruz; não pela dor, mas pelo teu amor. ConTigo, fico em paz. Agradeço. Louvo. Contemplo e adoro.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES
- Suporto as dificuldades e contrariedades ou vivo dependente do êxito?
- Como encaro a dor? Procuro uni-la à de Cristo?
- Preocupo-me com o sofrimento dos outros? Que faço para os aliviar?

UM PENSAMENTO
“Mesmo que só nos reste uma rua estreita, por onde teremos de caminhar, por cima existe, todavia, o céu inteiro.” (Etty Hillesum)

UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de ver a cruz como degrau, não como barreira.

UMA ORAÇÃO-POEMA

Quem é este!? Que finge ser rei,
tendo mero jumento por trono
qual servo humilde, regressado
para doar os frutos do seu labor:
suor, sangue e amor sem conta.

Bendito Aquele que nos alcança
e, em nome de Deus, nos salva.
Todos sonham em provar glória.
Tu, só queres ser trigo, triturado
amassado e repartido, feito pão.

Ajoelhado, serves, limpas e curas.
Carregas a cruz, vergando, caindo
e, conTigo, reerguemo-nos todos.
Morrer de amor, é coisa de Deus!

UMA CANÇÃO
Debora Vezzani – I.N.R.I. (Io non ritorno indietro)

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