VI Domingo do Tempo comum (B)

O TOQUE DE DEUS6 COMUM B

LECTIO DIVINA – Um Roteiro

0. Preparo-me
Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
- Leio pausadamente o Evangelho Mc 1, 40-45.
- Sublinho e anoto o mais significativo.
Um leproso aproxima-se de Jesus. Prostrado suplica, confiante na cura. Jesus, intimamente interpelado, toca-o. Cura o mal físico e devolve dignidade àquele homem.

2. O que me diz Deus
- Imagino-me no lugar do leproso. Que experimento?
O contacto de Jesus com o leproso – marginalizado pela sociedade – impede-O, no final, de aceder às povoações. A Lei proibia o leproso de se aproximar e Jesus de o tocar: Jesus é tomado por “impuro” quando, na verdade, purificou o enfermo. Manifesta-se aqui a compaixão divina: reaproximar o marginalizado, acolher o abandonado, curar o ferido (física, social e espiritualmente). Deliberadamente, Jesus toma o meu lugar. Assume sobre si a minha “lepra” (pecado, medos, mágoas…) para que eu reencontre Deus.

3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
“Senhor, se quiseres podes curar-me.” Esta pandemia fragiliza-nos física, espiritual e animicamente. A sociedade padece. E também eu tenho as minhas “lepras”. Mas, em Ti, encontro remédio. Cura o mal que me faz duvidar, desconfiar, azedar…
Repete com frequência o teu “Quero, fica limpo!” Na hora da debilidade, na hora de considerar as minhas falhas. Imploro, pois, o teu perdão como bálsamo.
Peço pelos “leprosos” de todos os tempos e que a sociedade teima em esquecer: os reclusos, os sem-abrigo, as pessoas com deficiência… Quem os socorre, se nos resguardamos em casa? E os mais frágeis deste tempo: os doentes e idosos. A geração que construiu o que hoje temos. Sacrificaram a sua vida pelos filhos e netos e, agora, partem sem um abraço. Aproxima-Te de cada um deles. E toca-os.

4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, queres-me curado, limpo, livre… Assim me sinto na tua presença. Teu amor purifica toda a impureza. Não posso calar a minha gratidão. Por isso, Te louvo, contemplo e adoro.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES
- Acolho ou descrimino a diferença dos outros?
- Experimento compaixão pela fragilidade alheia?
- Como minimizo os efeitos da marginalização social?
- Aprendo de Jesus a ser compassivo?

UM PENSAMENTO
“A compaixão é a coisa que tem mais sentido na ordem do mundo.” (Emmanuel Lévinas)

UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de ter um coração capaz de compaixão.

UMA ORAÇÃO-POEMA

O mal confinou-me.
Só o desânimo teve pena de mim.
Profilático, dispôs-se a receitar-me.
Eu, analgésico e contingente,
quase consenti.

Só então rememorei:
em Ti, não existe distanciamento.
Desmascarado o preconceito,
avanço, descarado,
miséria encarando compaixão
e a fé silabando convictamente:
“Se quiseres, podes curar-me!”
Tua mão, asseou-me o coração
e, desinfetada a alma, escutei
sentido “Quero, fica limpo!”

UMA CANÇÃO
Jeremy Camp – Dead Man Walking