«Sermão para quem adormece na igreja»

Jonathan Swift, Sermão para quem adormece na igreja, Lisboa: Universidade Católica Editora, 2017.   

Uma passagem insólita do Livro dos Actos dos Apóstolos (Act 20, 9) é o mote para um sermão carregado de ironia e criatividade onde, apesar da simplicidade da linguagem, encontramos uma grande densidade de significados. Jonathan Swift (1667-1745), autor da conhecida obra de ficção "As Viagens de Gulliver", dirige este sermão diretamente ao ouvido de cada cristão. É que “desde o seu púlpito, um pregador não poderá olhar em redor sem deixar de observar aqueles que ali estão”.

Trata-se de uma obra que reflete e censura concretamente a indiferença a que está sujeita a pregação. Este desinteresse aparece como resultado do “declínio da observância litúrgica, empobrecimento da vida espiritual e expansão da indiferença religiosa”. Esta obra, apesar do tempo em que foi escrita, está profundamente atual, sobretudo nas descrições das controvérsias e nos exemplos utilizados. A leitura deste sermão pode acordar-nos e conduzir-nos a uma importante reflexão pessoal sobre o modo como escutamos os outros. Até porque, como nos diz o autor, “todas estas considerações poderão talvez surtir algum efeito se os homens estiverem acordados; mas que argumentos havemos de usar para quem dorme?”.