A mais antiga homilia Pascal

Isidro Lamelas, Melitão, Bispo de Sardes (século II) Sobre a Páscoa (Perì Pascha) A mais antiga homilia Pascal, Prior Velho: Paulinas 2021.

A Páscoa é o acontecimento central na vida dos cristãos, “Somos fruto da Sua Paixão, confessa Santo Inácio de Antioquia, no começo do século II”. Se o Mistério Pascal é o centro de toda a vivencia cristã dos primeiros séculos, é natural que os seus escritos contenham um cunho explicitamente pascal.

Como nos relatam os Atos dos Apóstolos, os cristãos eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à união fraterna, à fração do pão e às orações (Act2,42). Portanto, todo o rito, a catequese e a liturgia organizava-se em torno do Mistério Pascal. “Até ao século IV a Páscoa era a festa dos cristãos não existindo outras solenidades”. Deste modo, durante este período serão abundantes as homilias sobre a Páscoa, claramente proferidas no contexto de celebração.

Infelizmente a maioria não chegou até aos nossos dias. “Afortunadamente no século passado foram descobertas mais algumas homilias datáveis do século II e III”. Uma das mais antigas é precisamente esta obra do Bispo Melitão de Sardes: Perì Pascha. Esta homilia do Bispo de Sardes, do qual muito pouco se sabe, apresenta um caracter muito cristológico e uma forte dimensão antropológica “colocando a tónica na ressurreição de Cristo”. Trata-se de um texto de leitura cativante, onde Melitão de Sardes começa por mostrar que todo o Antigo Testamento é “profecia da Páscoa de Cristo e para esta se orienta”.

Num segundo momento, O Bispo de Sardes explica como “Cristo nossa Páscoa “é garantia de salvação para todos os povos: De facto, como Filho, foi gerado, como cordeiro, levado ao sacrifício, como ovelha, imolado, como homem, sepultado, mas ressuscitou dos mortos como Deus, sendo por natureza Deus e homem (Perì Pascha 9).

O estudo e notas de Isidro Lamelas constituem uma preciosa contextualização, tanto da obra como do autor, suscitando a curiosidade pelo texto. Certamente será um bom estímulo para melhor contemplarmos o Mistério Pascal e continuamente fazermos a experiência da passagem da morte à vida.